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Soleni Biscouto Fressato

 

Historiadora e socióloga com pensamento e escrita afetivo-intelectual, porque existem muitas formas de saber.

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia. Pesquisadora de Indícios, Rede Internacional de Investigação em Humanidades e Ciências Sociais. Tradutora entre as línguas francesa e portuguesa de Selvagem, Ciclo de Estudos sobre a Vida.

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Livros

Novelas, espelho mágico da vida (quando a realidade se confunde com o espetáculo) (Perspectiva, 2024) reflete com o rigor conceitual de cientista social e a prosa afetiva de espectadora sobre as influências que as novelas exercem e sofrem da sociedade, o papel que exercem junto à nossa subjetividade, a relação entre ficção e realidade a que dão vida, analisando-as em toda às complexas relações que estabelecem conosco. Conceitos como “indústria cultural”, “sociedade do espetáculo”, “era da imagem” são fundamentais, mas por si mesmas não dão conta da complexa relação que temos com a telenovela. Engajando e alienando, impondo padrões e se submetendo à pressão do público, essa produção, coletiva por excelência, é pensada em toda as suas múltiplas interações com várias realidades – social, psicológica, cultural, política.

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Ser “bandeirante” em Curitiba. O catolicismo como política (Casa Publicadora, 2021) é fruto da dissertação de mestrado, defendida em 2003 no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Paraná. O livro analisa o projeto político-pedagógico do Círculo de Estudos Bandeirantes (CEB), instituição cultural católica fundada, em 1929, na capital paranaense. A fundação da instituição se deu num período em que a Igreja Católica, no Paraná, já estava fortalecida e as ideias anticlericais não representavam mais uma ameaça. Assim, sua atuação teve, por objetivo, reforçar a catolicidade da sociedade curitibana, sobretudo de uma elite letrada e oligárquica-conservadora. Para tanto, a instituição foi fundada como um espaço cultural, comprometida em formar intelectual e moralmente seus sócios. A partir dessa formação, seus integrantes (pessoas respeitadas e reconhecidas no meio social da cidade) disseminariam os ideais católicos para a população, por meio de eventos culturais e principalmente pela sua atuação na área educacional, desempenhando um papel ativo na vida cultural da cidade. O objetivo estratégico que essa tática visava, era a construção de uma força política, moral, cultural e religiosa capaz de se tornar hegemônica na política local, regional e nacional ou, ao menos, participar de um bloco de poder.

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Soou o alarme. A crise do capitalismo para além da pandemia (organizadora juntamente com Jorge Nóvoa, Perspectiva, 2020). Agindo como um acelerador do tempo, a pandemia do novo coronavirus expôs as fragilidades e graves inconsistências do sistema capitalista, que com sua narrativa do crescimento contínuo, perene e a qualquer custo, coloca a vida de milhões de pessoas em extrema vulnerabilidade, ao mesmo tempo que esgota os recursos naturais do planeta,  criando uma crise climática sem precedentes. Suas consequências mais visíveis são a precarização do trabalho, o aumento vertiginoso das desigualdades sociais, a devastação ambiental e a aniquilação de culturas e comunidades. Marginalização, pobreza, extinção de espécies, poluição das reservas aquíferas, a lista é devastadora. Nesse livro, pesquisadores e estudiosos discutem o futuro sob o pernicioso legado de um sistema constituído a partir da consagração da desigualdade.

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Caipira sim, trouxa não. Representações da cultura popular caipira no cinema de Mazzaropi (EDUFBA, 2011) é fruto da tese de doutorado, defendida em 2009 no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, com área de concentração em Sociologia. Partindo do pressuposto de que os filmes, mesmo não sendo produções de pesquisadores e sim de cineastas, mesmo os mais ingênuos e espetaculares, possuem informações, muitas vezes, precisas sobre determinada época e sociedade, o livro tem por objetivo analisar a representação das práticas culturais caipiras no cinema de Amacio Mazzaropi.

Leia a entrevista no Espaço do Autor da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) e a resenha publicada na Revista Aedos, Revista do Corpo Discente da Pós Graduação em História UFRGS.